sábado, 6 de setembro de 2008

48 horas non-stop na Cidade Luz

Bom, vamos por ordem cronológica... Primeira parada: Paris, cidade luz. Estava ansioso para chegar aqui, o que aconteceu na manhã do dia 29/08/2008, depois de longas horas em uma cadeira apertada da Air France. Mas valeu a pena. Ainda no trem a caminho da cidade eu comecei a procurar a torre, sabendo que ela domina a paisagem parisiense e pode ser vista de longe. Sem sucesso na procura, cheguei na minha estação de destino. A primeira vista ao chegar na superfície foi Notre-Dame, a catedral do século XII que é ícone da arquitetura gótica mundial.


O céu nublado não ajudou nas fotos. Mas tem eu pra compensar....


Imagens de uma das laterais. Rosáceas, arcos botantes, pináculos, ogivas, vitrais... gótico puro!
A era das luzes!

No primeiro dia eu tive uma tarde pra conhecer alguma coisa. Resolvi fazer passeios de arquiteto, coisas que "gente normal" não visitaria, pelo menos não no primeiro dia em Paris.


Descendo pelo Sena depois de passar novamente pela Notre-Dame - que fica na esquina do hotel onde me hospedei - segui em direção ao Instituto do Mundo Árabe, do arquiteto francês Jean Nouvel. O legal do prédio é o grande painel fotosensível existente em uma da fachadas. Ele é uma releitura dos muxarabis, treliçados de madeira colocados em janelas, que controlam a entrada de luz e preservam o interior da residência, permitindo que quem está dentro veja o lado de fora, mas não o contrário. Esse elemento foi criado pelos árabes e é uma das heranças mais fortes que eles deixaram para a nossa arquitetura colonial (chegou até nós através de Portugal, devido à ocupação moura na península ibérica).




Bota reparo que alguns orifícios estão abertos, outros fechados, e outros no meio do caminho.


Continuando minha peregrinação arquitetônica rio acima, cheguei até a Biblioteca Nacional da França, projetada pelo também francês Dominique Perrault. Na verdade, eu nunca gostei muito desse conjunto, mas quando cheguei lá, comecei a mudar de idéia. O lugar nao é tão seco, tão inóspito como eu pensava. Pelo contrário... foi bastante agradável passar um tempo ali. Os quatro edifícios ficam nos cantos do quarteirão e no centro tem um grande jardim em um nível bem mais baixo que o nível do térreo. É bem legal! Todo o piso é revestido com madeira, o que me assustoiu um pouco, achei um desperdício de árvores... acho que eles deveria fazer um programa de Carbon Free pra compensar isso, hehehe. Sem falar que eu sentei na escadaria pra tirar uma foto e uma farpa gigante entrou na minha bunda. Farpa maldita... fiquei o resto do dia com dor, e a foto nem ficou boa.


Dois dos quatro edifícios do conjunto da BNF.

Foto que resultou no episódio da farpa... afff


Ponte que liga a BNF ao outro lado do Sena. Me lembrou muito a ponte dançante de Barcelona.





Saindo da BNF, decidi ir no parque La Villette, projetado pelo arquiteto Bernard Tschumi. No caminho me deparei com essa bizarrice aí do lado, não me contive e fotografei. Acho que é uma boate. Deu pra ver que dentro desse "verme" tem luzes... de noite deve ser muito legal.


Para chegar ao La Villette tive que pegar o metro, que aliás é um assunto à parte. Eu estava acostumado com o metrô de NYC, mas o de Paris bate de mil. É gigantesco, dá pra chegar em qualquer lugar da cidade. E dá pra ir de um ponto a outro de diversas maneiras, o que também é muito legal.

Voltando ao La Villette... Gostei demais de ter conhecido o parque. Acho que é um passeio que todos deveriam fazer quando estiverem em Paris, especialmente no verão, como foi meu caso. O lugar é muito utilizado, tem gente de todas as idades e de todos os tipos e tribos, pessoas tomando sol na grama, fazendo piquenique, crianças brincando, casais namorando, turistas gastando seu dinheiro. É um espaço muito democrático e tem muito a ensinar aos arquitetos do mundo inteiro. Quando voltar a Paris, certamente reservarei mais tempo para o La Villette. Especialmente porque a bateria da minha câmera estava acabando e por isso tirei pouquíssimas fotos.


Marquise - um dos elementos de destaque no parque, cruzando toda a extensão do mesmo. O edifício vermelho no fundo é uma das muitas follies (para saber mais sobre as follies, entre no link do La Villette acima)


Essa passarela também faz as vezes de uma marquise, cruzando o parque, mas no outro sentido.



Epcot? Não, essa viagem foi há 3 anos... Esse é o cinema da Cidade das Ciências e da Indústria, que fica dentro do LV. No fundo dá pra ver mais follies.


A essa altura já estava terminando meu primeiro dia em Paris. Chegando no hotel depois de dormir no metrô, descansei um pouco e saí para jantar. Aproveitei para dar uma passada no Pompidou, que fica pertinho do hotel, mas tinha acabado de fechar. As fotos não ficaram boas, mas vou postar mesmo assim.

Foi legal fazer esse tour arquitetônico. Todos esses lugares e edifícios me foram apresentado quando eu estava na faculdade. E sensação de chegar lá, ver com meus próprios olhos, sentir o espaço, observar sua apropriação e seus detalhes é indescritível. Vale mais do que qualquer aula de projeto ou de arquitetura contemporânea.

Agora pro hotel descansar que amanhã tem mais...

Um comentário:

SuzySimon disse...

Valeu, garoto!
É isso aí! viajar é preciso!
Aguardo as novas fotos
Suzy