Eu e Seidou, o filho do Souare
Eu e o Rogério
Além de roupas, tinha algumas pessoas vendendo comida (preparada ali mesmo, sem nenhuma higiene), utensílios de plástico (baldes, potes e afins, sempre bastante coloridos) e quinquilharias em geral (pilha, bala, chiclete, barbeador, sabão em pó... tudo quanto há). Me impressionou muito o fato de não existir absolutamente nenhum tipo de artesanato. Nada. Niente. Esse povo não produz nada. Nos campos não se vêem plantações, a não se para subsistência. É bem estranho poque o solo é fértil, muito parecido com o de Minas Gerais, terra vermelha.
Desde o dia em que cheguei estava alucinado pra conhecer as casinhas de barro com telhado de palha: as tee-boms. Pedi pra conhecer a do Souare. Ele mesmo a construiu. Ele me explicou que eles retiram o barro, fazem tijolos grandes e assentam esses tijolos com o próprio barro - o famoso sistema de adobe. Depois eles fazem a estrutura do telhado ainda no chão e, quando pronta, a transportam para o alto da casa e a amarram. Depois é só cobrir com palha e pronto.
Cozinha do Souare ainda não concluída
Telhado visto por dentro
Souare e eu dentro da tee-bom dele
Nós compramos um pacote de balas e outro de pirulito pra distribuir pra criançada. Vixi... eles fizeram a festa. Pena que isso não resolve o problema deles...
Eu saí de Moribagoudou bastante impressionado. Sei que no Brasil existem pessoas vivendo em condições até piores, mas normalmente não temos contato tão direto assim. Eu tive que vir parar na África para ver essa miséria de perto. Por outro lado, dá um pouco de raiva porque eles não produzem nada. Artesanato é algo que é possível de ser feito com baixo ou até zero custo. Sei que aqui não tem turistas para comprar souveniers, mas que eles façam outro tipo de artesanato, utensílios: panelas de barro, espanadores, cinzeiros, vassouras, sei lá... Pelo menos começariam a movimentar a economia local.
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