O bafo quente e úmido na saída do avião não deixava dúvidas: eu estava mesmo na África equatorial. No aeroporto simples, descemos na pista e chegamos à emigração a pé. Já tinha sido advertido que muito possivelmente teria que pagar propina para entrar no país, o que geralmente ocorre no momento da vistoria da mala. Também já estava ciente dos freqüentes roubos de bagagem. Eles abrem a mala - se necessário, quebram o cadeado - escolhem o que querem, fecham a mala e passam pra próxima vítima. Estava apreensivo. Com medo mesmo. Nunca antes tinha viajado com essa sensação.Após passar sem problemas pela imigração, fui para a esteira de bagagem. Tinha muita gente ali. Qualquer um pode entrar, mesmo que não tenha chegado de viagem. O calor e a umidade sufocantes. Ali encontrei as pessoas que deveriam me pegar e levar ao hotel, a Tânia e o Mohamed, ela brasileira e ele guineense lusófono. Brasileiro é mesmo como uma praga, tem em todo lugar. Como uma pessoa sai de Salvador pra vir morar em Conacri? Antes dessa viagem eu nem sabia da existiência desse lugar, não tinha a menor idéia de qual era a capital da Guiné. Mas enfim... o fato é que ver uma brasileira me deixou mais sossegado.
Na saída da sala da esteira, quando a bagagem deve ser revistada, a oficial disse simplemente: "Não tenho tempo pra revistar sua bagagem. Me dá dinheiro de uma vez que eu deixo você passar". Ainda bem que o Mohamed estava comigo e não deixou que eu fosse "roubado". É impressionante como eles não têm nem a preocupação de esconder a corrupção. A Guiné é o país mais corrupto da África, e o sétimo no mundo. Não é pouca coisa...Infelizmente não tenho fotos de Conacri porque fui instruído a não mostrar a câmera. Estava com muito medo. A viagem do aeroporto até o hotel foi surreal. Já estava de noite, chovia, e tudo era tão novo. Eu não queria perder nada. A cidade é terrível. Nada salva. Impressionante. Imagina o Brasil há uns 60 anos. Imaginou? A Guiné é pior.
Paramos para comprar água porque o quarto do hotel tem um frigobar vazio, ótimo para gastar a pouca energia elétrica disponível. Depois fomos direto para o hotel. A única coisa que eu queria era um banho quente. Só tinha gelado. E depois cama. Pelo menos esta era confortável.
No dia seguinte, tchau Conacri, olá Beyla! O vôo parte às 11 da manhã.
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