sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Dilema



Ontem, dia 30/10/2008, passei por um dilema moral. Explico!

Os africanos contratados pela empresa para a qual estou trabalhando imploraram para que fosse feito o sacrifício de um animal para afastar os "maus espíritos e demônios" que supostamente têm atrapalhado a empresa desde sua vinda para Simandou (muitos pequenos problemas e alguns acidentes com lesões nas mãos, que não são tolerados pela Rio Tinto, a contratante, deixaram a imagem da contratada um tanto abalada). Os funcionário deixaram claro que querem ver a empresa crescer aqui na Guiné, porque obviamente isso significa o crescimento individual de cada um deles.






Eu achei aquela história de sacrifício muito estranha no princípio, demorou umas três semanas para eu me acostumar com a idéia. Eu sempre fui um fervoroso defensor dos animais. Às vezes isso até me incomoda, especialmente quando eu começo a pensar que me preocupo mais com os animais do que com os seres humanos - tantas pessoas passando fome, ou morrendo de doenças medievais, e eu aqui preocupado com os animais. Mas o fato é que eu realmente me preocupo com eles e não admito maus tratos a animais na minha frente.




Entretanto, em termos culturais e até antropológicos - quem sou eu para falar de antropologia, hehehe - eu achei muito interessante essa história de sacrifício. Me impressionou como essas pessoas genuinamente acreditam que derramar o sangue de um animal pode acalmar os deuses. E outra: essa possivelmente é uma tradição de muitos anos, o que a torna ainda mais interessante. Seria uma experiência única poder presenciar um ritual desses.






O fato é que eu fiquei na maior dúvida se deveria ir ou não à cerimônia de sacrifício. Procurei saber sobre o ritual com antecedência, perguntei se envolvia crueldade e o que era feito com a carne do animal morto. Me disseram que não haveria crueldade e que a carne era doada aos pobres, que rezariam pela empresa em agradecimento. Essas resposta me deixaram ainda mais indeciso - era o que eu queria ouvir! Mas na hora H decidi que não deveria ir. E não me arrependo. E fico feliz por ter me mantido fiel aos meus princípios, por não ter me traído.




Ontem eu aprendi mais um limite meu!
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Um comentário:

Cris disse...

Poxa, Lisses, eu te entendo. Pela questão do seu limite, que colocou ao final. Mas eu CERTAMENTE teria ido ver como são feitos esses rituais. Sempre achei essa história curiosíssima, princialmente por ser uma tradição cultural diametralmente oposta à nossa. Teria ido, tirado fotos, feito uma reportagem e guardado a experiência para sempre na minha memória (com direito a pesadelos à noite, claro).